Diários da Mata #1
Um corpo no mundo: vestígios e travessias
19.06.2025
Mata do Bussaco
Mata úmida da noite anterior, amplificação de aromas das folhas, das plantas e do eucalipto. Cheiro bom. Ar puro a entrar nos pulmões, acalmando os batimentos, levando o pensamento para longe e ao mesmo tempo para cada uma das pedrinhas, folhas, sons.
Sem a Mata, não há fontes d’água, não há riachos, regatos, quedas d’água. Não existiria este som que costura os caminhos e que direciona os passos. Sem a diversidade da Mata, não há a circulação de vida na montanha.
Quantos serão os tons de verde que existem?
Como desenhar a água que corre?
Tentativas de fazê-lo a partir da linha, tarefa frustrante de tentar parar o seu curso, de capturar a sua fluidez.
Pingos de chuva fazendo o lago dançar, como partituras, como pirilampos.
Parece que vou ter mesmo de trazer as fontes, as águas, novamente para o trabalho. Como? Usando a sua imagem, o seu som ou as tentativas de desenho?
Como as águas daqui se ligam com as águas de lá (Japão) e de lá (Brasil)? Será a água o ponto em comum?
E a criptoméria?
Árvore migrante, corpo migrante que se enraizou aqui.

